Abundância e insatisfação

Olá a todos, venho hoje falar-vos da minha perspectiva sobre a abundância e a insatisfação, temas que estão em sintonia com o artigo anterior da “Gratidão”.


Hoje vivemos tempos de abundância: nunca o ser humano teve tanto em toda a história. Uma pessoa de “poucas posses económicas” hoje tem acesso a tanto ou mais “luxos” que um rei da idade média (por exº tecnologia de comunicação, lazer, até simples coisas como uma casa de banho com chuveiro), já pararam para pensar e refletir sobre isto?


No entanto queremos sempre mais, sofremos de “insatisfação crónica”; e em tempo festivo, como o que se presencia atualmente com a chegada da quadra natalícia, é-nos incutido pela sociedade consumista, pela publicidade sugerida e pelo materialismo o querer sempre mais; e tê-lo agora.


Neste sentido sofremos do mal da “abundância vazia”: existe tanto para escolher, que ficamos indecisos, ficamos insatisfeitos com a nossa capacidade limitada em conseguir tudo o que nos é apresentado:

  • [if !supportLists]Enquanto acharmos que o nosso bem-estar ou a nossa felicidade depende de tudo o que poderiamos ter então seremos infelizes.

  • [if !supportLists]A sensação de felicidade depende da maneira como lidamos com as experiências da vida, se em cada acontecimento ou circunstância apenas virmos, sentirmos e/ou retirarmos o que nos falta, então seremos infelizes.

  • [if !supportLists][endif]Quando a insatisfação se torna um padrão, mesmo que haja abundância material, saúde e amor, então somos infelizes, muitas vezes mesmo sem perceber o porquê; e isso transpôe-se para os nossos mais que tudo, para as gerações futuras, para as nossas crianças sobre-protegidas e com acesso a tudo, que num amanhã próximo serão o nosso futuro.


A insatisfação e a inveja


A insatisfação vem de mãos dadas com a comparação e a inveja. Exemplos:

  • O(a) colega que conseguiu o trabalho melhor, o prémio melhor, a oportunidade melhor.

  • O(a) vizinho(a) que comprou a casa ou carro melhor.

  • O(a) amigo(a) que tem um relacionamento melhor, com a pessoa mais interessante

No fundo, focamo-nos no sucesso e bem-estar dos outros para gerar uma comparação negativa potenciando o nosso sentimento de insatisfação e gerando mau estar à nossa volta (profissional e pessoal).


E como ressignificamos ou alteramos o nosso padrão vibratório? Refletindo, colocando uma orientação , um sentido positivo em tudo o que fazemos, alterando a forma como vemos o mundo, alterando o nosso mindset. “O nosso mapa mental não é o território” - é um pressuposto em Programação Neuro Linguística (PNL) – significa que o que nós vemos advém de uma representação interna, não necessariamente reflete toda a realidade.


E como podemos fazer a nossa diferença? Em primeiro lugar, fazendo-nos as perguntas certas:

  • Como transformar o meu sentimento de insatisfação em algo positivo?

  • Como transformar a tendência para a comparação e inveja em algo positivo?

As respostas a estas perguntas encontrá-las-á no seu interior, no seu “Eu”, agindo por forma a operar uma transformação na sua perspetiva:

  • Passando dum estado de insatisfação através da gratidão

  • Substituindo o sentimento corrosivo da inveja pelo apreço


Como reeducar-se para a prática da Gratidão?


Nas nossas sessões de Coaching, tentaremos suportar a mudança deste mindset fomentando certos exercícios e abordagens, como por exemplo:

  • Aprender a agradecer a si mesmo(a) – “Obrigado(a) por ter feito o melhor que pude!”

  • Procurar valorizar o quanto já conseguiu, o quão longe já chegou.

  • Substituir a auto-crítica por elogios.

Não se esqueça que: “Num coração onde mora a gratidão também habitará sempre a felicidade”


Substituir a inveja pelo apreço


Enquanto que agir sobre a Gratidão implica agir sobre a forma como se trata a si próprio(a), agir sobre a inveja tem uma ligação direta à forma como olha para os outros – e consequentemente, no seu grau de satisfação.

Substituir a inveja pelo apreço é um exercício difícil, que exige uma mudança interna profunda, como tal terá de ser gradual e resultará melhor com o acompanhamento de um(a) Coach, que o(a) ajudará por exemplo a:

  • Reconhecer os sucessos alheios e exultá-los, procurando aprender com os exemplos de sucesso, identificar as “fórmulas”, cultivar a sua inteligência

  • Desenvolver a assertividade, isto é, a sua capacidade de exprimir de uma forma direta, honesta e transparente os seus sentimentos, opiniões e necessidades, respeitando ao mesmo tempo as dos outros.


“O que ganho com isso?”


Qual será o seu benefício, o que “ganha” com esta mudança de atitudes?

Ao compreender-se melhor, dará valor a coisas que não dava e essa percepção de valor preencherá progressivamente os vazios da insatisfação.

Aprenderá progressivamente a aceitar que não precisa de toda a abundância do mundo e que o que lhe poderá trazer um sentimento de satisfação depende de si e poderá estar mais à mão do que aquilo que julgava.


Carla Pereira